Estamos definindo nossa próxima viagem para Orlando, e o que mais me ocupa a cabeça não é um parque ou uma atração. É o que acontece entre uma decisão e outra — nos espaços onde moram as dúvidas, os ajustes, as perguntas pequenas que nunca aparecem nos posts ou nas planilhas.
Quando eu e minha esposa, minha sócia nessa aventura chamada Artoo, sentamos para planejar, normalmente é um momento de foco. Abrimos o computador, cruzamos horários, preços, datas, eventos, pesquisamos o que cabe e o que não cabe. Mas é fora desses momentos que as dúvidas mais interessantes aparecem.
“Será que vale a pena esse restaurante?”
“Como está o clima em setembro?”
“Dá pra ir do hotel pro parque a pé?”
Dúvidas que nascem no meio de uma conversa qualquer, no café da manhã, no trânsito, antes de dormir. E quase sempre, a gente faz o mesmo: guarda pra depois. Deixa pra quando sentar novamente pra pesquisar. Só que, na prática, esse “depois” raramente chega.
Durante nossa última viagem, em setembro de 2024, percebi como essas pequenas perguntas moldam a experiência real de uma viagem. Ao aterrissar em Orlando, nosso roteiro estava pronto — ou assim achávamos. A primeira dúvida surgiu antes mesmo de pegar o carro alugado: onde era o ponto do shuttle que leva do terminal ao estacionamento? De quanto em quanto tempo ele passa? Era aquele o lugar certo?
Olhei em volta. Só turistas, todos com a mesma expressão: “alguém sabe?” Ficamos em silêncio e esperamos. Quinze minutos depois, o shuttle chegou, e a viagem começou. Mas a pergunta ficou. E se houvesse uma inteligência artificial especializada em Orlando que pudesse tirar todas as nossas dúvidas, instantaneamente?
Essa frase me perseguiu durante toda a viagem.
A cada fila, a cada restaurante, a cada dúvida nova, ela voltava.
E foi assim, aos poucos, que a semente do Artoo nasceu.
Do sonho à estrutura
A Artoo começou com essa ambição simples — ou talvez ousada demais: criar um chatbot especializado em Orlando, capaz de responder com precisão e contexto local às dúvidas de quem está planejando ou vivendo a viagem.
Mas, como toda boa ideia, ela não parou aí.
À medida que fomos desenvolvendo, percebemos que um chatbot isolado seria insuficiente. O verdadeiro valor estaria na integração entre as partes: o chat, o roteiro, o checklist, o clima, os alertas, os parceiros locais. Orlando é um ecossistema, e a ferramenta também precisaria ser.
É aí que nasce a virada: o Artoo deixou de ser apenas um chatbot e se tornou um Super App de Orlando. Um copiloto que atua antes, durante e depois da viagem — com a principal habilidade de entender o interesse do usuário e combinar isso com a nossa expertise para gerar planos personalizados em minutos.
Gerar um roteiro pode soar trivial, mas não há nada simples sobre isso. Por trás do comando “quero um roteiro de sete dias com dois parques da Disney e um dia de compras” existe um mundo de cálculos, fusos horários, dados em tempo real, preferências pessoais e decisões sutis.
Nosso primeiro grande desafio foi justamente esse: fazer o Artoo consumir o contexto do usuário, puxar dados de fontes confiáveis e unir tudo à nossa própria base de conhecimento para gerar uma resposta realmente útil.
No lançamento, essa será a principal capacidade: criar roteiros personalizados de forma conversacional. O usuário chega ao chat, é recebido com um cumprimento — “Olá, fulano, que bom te ver por aqui!” — e começa a jornada.
Se ainda não criou um roteiro, o Artoo o convida a começar. Se já tem, oferece ajustes e melhorias. Ele identifica informações obrigatórias, recomenda preenchimentos faltantes, e quando tudo está pronto, trabalha. “Podexa!”, responde.
Em poucos minutos, devolve um roteiro completo, construído a partir do ritmo, da duração e dos interesses informados. Tudo visível em uma interface de calendário, dentro da seção de roteiros do app. Se quiser ajustar, o usuário pode arrastar manualmente (drag-n-drop) ou pedir diretamente no chat.
Essa fluidez — o handoff entre Chat → Roteiro → Chat — é o que dá alma à experiência.
Entre erros e escolhas
Nada disso veio sem tropeços.
Tivemos de lidar, por exemplo, com a diferença de fuso-horário entre o embarque no Brasil e a chegada na Flórida. Pequeno detalhe? Não mesmo. No nosso primeiro protótipo, a chegada ao parque, que deveria aparecer às 9h da manhã, surgia às 14h. Um erro catastrófico.
Criamos então regras específicas de “dia zero” (embarque) e “dia um” (chegada), garantindo que o Artoo entendesse automaticamente o contexto temporal do viajante.
O outro grande desafio foi lidar com o volume de dados. A ambição é responder sobre tudo o que um turista brasileiro possa querer saber em Orlando — clima, parques, restaurantes, compras, entretenimento, dólar, praias, transporte. Mas não dá pra fazer tudo ao mesmo tempo.
Decidimos seguir outro caminho: fazer uma coisa muito bem, antes de expandir.
Acreditamos que uma promessa não cumprida é muito pior do que ser sincero sobre as próprias limitações. E mais do que uma estratégia de produto, isso se tornou uma filosofia de marca.
Preferimos construir junto da nossa comunidade — nossa tribo de apaixonados por Orlando. Pessoas que, como nós, sonham, planejam, voltam e continuam descobrindo novos ângulos da cidade.
Velocidade personalizada
O momento em que vimos o primeiro roteiro nascer dentro do chat foi um daqueles marcos emocionantes.
Há apenas um ano, nosso roteiro pessoal era uma nota estática no celular — sem horários, sem ajustes, criada à base de tentativa e erro. Levamos dias para montá-lo. Hoje, em poucos minutos, temos um roteiro completo, visual, coerente, e que se adapta com um simples comando.
Mais do que velocidade, é velocidade personalizada.
A sensação é de ter o controle da viagem sem precisar estar grudado no computador. Dá pra sonhar com o que vem, em vez de lutar contra o planejamento.
E esse é o verdadeiro impacto emocional: devolver tempo e tranquilidade para o viajante.
Porque, no fundo, o Artoo não entrega apenas eficiência — ele entrega confiança.
Entre a máquina e a comunidade
A Artoo é movida por inteligência artificial, mas é sustentada por inteligência humana coletiva.
Existem infinitas maneiras de curtir Orlando, e cada família tem a sua perfeita. Com os avanços da tecnologia, podemos finalmente contemplar essa variedade e entender o que funciona para cada perfil.
Imagine juntar todas as experiências das pessoas que viajaram nos últimos três anos — o que gostaram, o que deu certo, o que fariam diferente — e transformar isso em aprendizado para os próximos viajantes. É o que estamos fazendo.
Com o consentimento do usuário, usamos aprendizado de máquina para entender padrões (família grande, pequena, idade das crianças, época da viagem, orçamento) e identificar o que realmente gera boas experiências.
Esse aprendizado volta para a comunidade em forma de melhores roteiros, dicas e recomendações. É a tribo alimentando o copiloto — e o copiloto retribuindo à tribo.
O que vem depois
Ainda não temos todas as respostas sobre até onde o Artoo deve ir sozinho e quando deve pedir confirmação. Esse equilíbrio entre autonomia inteligente e protagonismo humano será construído junto com a comunidade.
Mas temos clareza sobre uma coisa: confiar é tudo.
Perder a confiança do usuário é perder o propósito.
Ganhar a confiança é pavimentar o caminho para algo muito maior — um produto que cresce de forma recíproca com quem o usa.
E talvez seja isso o mais bonito desse processo: estamos explorando um território pouco mapeado. Validando o que sabemos, aprendendo o que não sabíamos e testando formas inéditas de resolver problemas reais com tecnologia.
Mesmo em meio à evolução acelerada da IA, uma verdade permanece: as pessoas continuam no centro.
A tecnologia muda, as ferramentas se renovam, mas o que nos move é o mesmo desde o início — ajudar pessoas reais que amam Orlando a viverem experiências mais leves, completas e inesquecíveis. Quando esse propósito é claro, viajar com tecnologia deixa de ser um conceito futurista.
Passa a ser simplesmente isso: viajar.